Lição 17 – Não Vejo Coisas Neutras
- Alexandre Puglia

- Jun 5, 2025
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1. A Lição (do Livro de Exercícios)
Não vejo coisas neutras.
Esta ideia é mais um passo na direção de identificar a causa e o efeito tal como realmente operam no mundo. Você não vê coisas neutras porque não tem pensamentos neutros. É sempre o pensamento que vem primeiro, apesar da tentação de acreditar que é o contrário. Esse não é o modo como o mundo pensa, mas você deve aprender que é o modo como você pensa. Se não fosse assim, a percepção não teria causa e seria, ela própria, a causa da realidade. Dada sua natureza altamente variável, isso dificilmente seria possível.
Ao aplicar a ideia de hoje, diga para si mesmo, com os olhos abertos:
“Não vejo coisas neutras porque não tenho pensamentos neutros.”
Depois, olhe ao seu redor, descansando seu olhar em cada coisa tempo suficiente para dizer:
“Não vejo um(a) ______ neutro(a), porque meus pensamentos sobre ______ não são neutros.”
Por exemplo:
“Não vejo uma parede neutra, porque meus pensamentos sobre paredes não são neutros.”“Não vejo um corpo neutro, porque meus pensamentos sobre corpos não são neutros.”
Não faça distinção entre o que você acredita ser animado ou inanimado; agradável ou desagradável. Independentemente do que você acredite, você não vê nada que seja realmente vivo ou realmente alegre. Isso acontece porque você ainda não está consciente de nenhum pensamento que seja realmente verdadeiro, e, portanto, realmente feliz.
São recomendados três ou quatro períodos de prática específicos, e no mínimo três são exigidos para o benefício máximo — mesmo que você sinta resistência.
2. Explicação (RAIN, Byron Katie, Física Quântica, Holobiontes, UCEM)
A lição diz:“Não vejo coisas neutras porque não tenho pensamentos neutros.”
Isso não é uma metáfora. É uma afirmação direta de como o seu mundo interior constrói a sua realidade exterior.
A prática RAIN, de Tara Brach, oferece um caminho gentil para esse reconhecimento:Começamos por Reconhecer o que estamos vendo — talvez uma cozinha bagunçada, um rosto cansado no espelho.Depois, Permitimos a reação — frustração, vergonha, tristeza — estar presente.Em seguida, Investigamos com curiosidade: O que estou acreditando nesse momento?E, por fim, Nutrimos a parte ferida que criou esse significado.
Byron Katie, com seu método The Work, pergunta:“Quem você seria sem esse pensamento?”Você percebe que não é seu parceiro, o clima ou sua conta bancária que está te machucando.É a crença que você tem sobre essas coisas.
E quando você questiona essa crença, a ilusão se dissolve.
Do ponto de vista científico, a física quântica mostra que o observador colapsa a onda de possibilidade em forma.Ou seja: sua percepção cria a realidade que você experimenta.
O modelo dos holobiontes traz mais profundidade — revelando que não somos indivíduos isolados, mas ecossistemas vivos.Tudo em nós, e ao nosso redor, está em co-criação constante. Nada existe em isolamento. Nada é neutro porque tudo está em relação.
Um Curso em Milagres afirma:
“A projeção faz a percepção. O mundo que você vê é o que você deu a ele, nada mais do que isso.” (T-21.IN.1:1)
O que você vê não é um fato. É um espelho.O mundo se curva aos seus pensamentos.
3. Integração com o Cristianismo
O cristianismo tradicional geralmente foca no comportamento como raiz do sofrimento ou da salvação.Mas essa lição muda o foco: não é o comportamento, é a percepção que molda a realidade.
Jesus disse: “Seja feito conforme a sua fé.”Ele não falava apenas de cura física, mas do poder que a crença tem de dar forma ao que vemos.
Místicos cristãos como Orígenes ensinaram que a alma já conhece a verdade — mas perdemos essa consciência por causa da percepção distorcida.Por isso Paulo escreveu: “Agora vemos como em um espelho, em enigma.”
Esta lição nos ensina a limpar o espelho — não mudando o mundo, mas curando a lente com a qual o vemos.
4. Versículos Bíblicos e Novo Significado
Marcos 8:24“Ele olhou e disse: Vejo pessoas; parecem árvores andando.”
Versão tradicional: A cura do homem foi parcial; Jesus ainda não havia concluído o milagre.
Versão mais profunda: Representa o primeiro estágio do despertar espiritual. No começo, vemos a realidade de forma distorcida. Não vemos as pessoas como elas são — vemos projeções de nossos medos, memórias e julgamentos. A cura real começa quando aprendemos a enxergar com os olhos da alma.
Isaías 55:2“Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz?”
Versão tradicional: Um convite para voltar-se a Deus e deixar os ídolos materiais.
Versão mais profunda: Estamos gastando energia mental — “dinheiro” — alimentando o ego com medo, julgamento e distração. Quando acreditamos em pensamentos que não estão alinhados com o amor, nos esgotamos perseguindo ilusões. O verdadeiro alimento é a verdade que a alma já conhece.
2 Reis 6:17“Então Eliseu orou: Senhor, abre os olhos dele para que veja. Então o Senhor abriu os olhos do servo, e ele viu os montes cheios de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu.”
Versão tradicional: Uma revelação milagrosa da proteção divina.
Versão mística: O divino sempre esteve presente — o servo só não podia perceber. Isso reflete o ensinamento do Curso: a percepção esconde a realidade quando está distorcida pelo medo. Quando o “olho interior” se abre, não vemos mais um mundo de ameaça, mas um universo repleto de luz e verdade que sempre esteve ali.
5. Mensagem aos Amigos
Hoje, conversei com um amigo que está enfrentando uma depressão.Ele me contou o quanto é difícil simplesmente sair da cama — ir à academia ou visitar um amigo —duas coisas que ele sempre amou.E então ele perguntou: “Por que eu ainda estou vivendo?”E, mais profundamente: “Quando foi que eu me perdi?”
Isso me tocou fundo. Porque eu conheço essa sensação.
Quando estamos conectados à alma, tudo irradia.Até nossos olhos espalham alegria.Mas quando ficamos tempo demais longe dela, algo começa a mudar.O mundo perde a cor.Até a luz parece apagada.E deixamos de ver claramente — não só o mundo, mas nós mesmos.
O Curso diz que não vemos coisas neutras porque não temos pensamentos neutros.E é verdade.Quando alimentamos a mente com a mesma história interior —aquela moldada pelo medo, fracasso, vergonha ou silêncio —com o tempo ela se torna a única lente pela qual enxergamos.E então, não apenas sentimos dor na alma.Nos tornamos dor em forma.
O corpo responde.O mundo responde.Tudo começa a refletir a frequência do que acreditamos ser verdade.
A Bíblia diz: “A fé vem pelo ouvir a Palavra.”Mas o que acontece quando paramos de ouvir a Palavra?Quando deixamos de ouvir o Amor e passamos a escutar as mentiras do ego?
É assim que perdemos a fé.Não em Deus — mas em nós mesmos.Na vida.Em tudo.
Buda disse: “Sofremos não pelo que é, mas por lutarmos contra o que é.”E Byron Katie diria: “Não é o fato que nos machuca — é a história que contamos sobre ele.”
Então, quando alguém nos fere e dizemos: “Ele me machucou”,estamos apontando para fora, quando a dor real está dentro.Não é sobre o que a pessoa fez.É sobre o que aquilo despertou em nós.E, se formos honestos, essa dor é mais antiga do que o momento presente.
Eu amo o trecho em que Jesus cura o homem cego.Porque a cegueira, na Bíblia, nunca é só sobre os olhos.É sobre a alma.
Quando paramos de ver a Luz,tudo se torna medo.Nosso casamento.Nossos filhos. Nossos amigos.Até o nosso reflexo.
Então, a lição de hoje é mais do que uma ideia.É um despertador.
Você está vendo o mundo que criou.Não o mundo como ele é.Mas o mundo moldado pelos pensamentos que você escolheu acreditar — ontem, ano passado, ou décadas atrás.
Peter Crone diz que quando começamos a falar sobre crenças limitantes, já é tarde demais.Porque essas crenças são só sintomas —do mundo interior que fomos construindo sem perceber.
E se queremos cura real,precisamos de mais do que pensamentos positivos.Precisamos voltar.
Voltar à Fonte.Ao momento anterior ao primeiro pensamento de medo.Ao saber profundo e silencioso de que nunca estivemos separados.
Nenhum pensamento é neutro.
Porque nenhuma alma é neutra.
Você é um criador.
Sempre foi.

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